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Os 9 perfis mais comuns de empreendedores

Pesquisa da Endeavor indica quais são os tipos mais comuns de empreendedores brasileiros.


Apaixonado, antenado ou independente? Que tipo de empreendedor você é? Para ajudar nesta tarefa, a Endeavor, organização que apoia o empreendedorismo de alto impacto, fez um estudo para identificar as percepções e os perfis dos empreendedores brasileiros. A pesquisa, feita em parceria com o Ibope Inteligência, entrevistou mais de 3 mil pessoas, entre empresários, potenciais empreendedores e empregados.


O estudo mostrou que a falta de conhecimento ainda afeta as pequenas empresas e que boa parte dos empresários não se prepara para empreender. Por outro lado, a população brasileira enxerga os empreendedores como geradores de emprego e de riqueza para o país.

A pesquisa foi dividida em três categorias de empreendedores: potenciais, formais e informais. Para cada uma, há perfis variados. Veja abaixo os tipos de empreendedores identificados na pesquisa:


1. Apaixonado

A maioria é mulher, tem entre 25 e 35 anos e é autossuficiente. Este tipo representa 22,4% dos empreendedores, mora nas regiões Sul e Sudeste e tem um alto nível de escolaridade. São pessoas altamente ligadas às redes sociais e com experiência na área empreendedora, seja com exemplos na família ou negócios com mais de seis anos. As áreas de serviços de estética e venda de acessórios são as que concentram mais empresários deste perfil. Com faturamento baixo, este grupo tem dificuldades em captar recursos. Fazer networking e estudar finanças são boas ações para melhorar o negócio. 


2. Antenado 

É o perfil mais jovem mapeado entre os que já têm um negócio, com idade média de 31,6 anos, e quase 40% terminaram o ensino superior. Estes empreendedores atuam principalmente com a área de serviços. Participa mais do que a média de organizações de classe e associações e costuma se informar principalmente pela internet. É mais avesso a riscos financeiros e menos preocupado em fazer o negócio crescer rapidamente. Este perfil costuma estar à frente de empresas por menos de 3,5 anos e pode precisar da ajuda de mentores para resolver seus problemas. 


3. Independente 

Eles são mais experientes, têm entre 46 e 55 anos e gostam de trabalhar para si mesmos. A maioria é casada, chefe de família e conhece bem o empreendedorismo. É o tipo que ainda prefere ler jornais a acessar a internet para se informar. Problemas com fluxo de caixa e falta de investimento são apontados como fatores que impedem o negócio de crescer. 


4. Arrojado

Cerca de 17% dos empreendedores se encaixam neste perfil. São pessoas mais maduras e engajadas. A maioria é homem e, em média, atua como empresário por 17 anos. Metade deles atua na área de serviços automotivos. Sua renda está acima da média, o que o torna mais confiante para assumir riscos. Sua principal fonte de informação é televisão e jornais e ainda acessa pouco as redes sociais. Entre as preocupações estão problemas com fluxo de caixa e gestão de pessoas. 


5. Desbravador

São aquelas pessoas que ainda não têm um negócio, mas querem empreender. A maioria tem experiência no setor privado, mas ainda está no começo da carreira, e idade entre 18 e 39 anos. Quase 90% dos entrevistados disseram que querem empreender e é provável que isso aconteça nos próximos cinco anos. Sua principal motivação é o retorno financeiro. 


6. Empolgado

É o grupo mais jovem entre os que querem empreender, com idade entre 16 e 24 anos. A maioria está no Sudeste e usa a internet para se informar e se comunicar. Um terço deste grupo ainda não tem renda, pois muitos ainda não começaram a trabalhar. Este perfil quer empreender para ser independente. 


7. Provedor

Este grupo representa um quarto dos potenciais empreendedores. Geralmente, tem mais experiência, faixa etária de 40 a 64 anos e escolaridade mediana. Tem medo de correr riscos financeiros, mas querem muito abrir o próprio negócio. 


8. Pragmático

Este grupo, geralmente dominado por empreendedores informais, tem mais homens, baixo nível de experiência em empreendedorismo e escolaridade mediana. Atua principalmente no setor de comércio, com negócios que faturam menos de 50 mil reais por ano. A maioria não tem sócios e usa muito as redes sociais. Ele tem dúvidas sobre o retorno financeiro do negócio e as possibilidades de falência. 


9. Lutador

Outro tipo que reúne boa parte dos informais, este perfil é formado basicamente por empreendedores altamente experientes. As principais áreas de atuação são lanchonetes, serviços estéticos e automotivos. A maioria começa o negócio por necessidade e tem várias dúvidas sobre a administração da empresa. 

Fonte: Exame.com

 

Procurando desculpas para não abrir um negócio?

Por Rafael Duton, da Endeavor

O termo “novas empresas” será sempre equivalente ao conceito de “startups” - que não tem uma tradução adequada para o português. Vejo uma diferença enorme, porém simples, entre uma pequena empresa e uma startup:  a startup é uma pequena empresa que nasceu para ser muito grande, para se tornar líder do setor ou melhor, criar um setor inteiramente novo. Existem outras diferenças, mas é assunto para outros artigos (e não há aqui nenhum demérito sobre pequenas empresas – que possuem importância ímpar na economia do Brasil e de muitos países).

O título deste artigo retrata um hábito comum nos “pré-empreendedores” brasileiros (aqueles que querem, mas ainda não empreenderam): muita vontade, alguma consistência nas propostas para criar negócios, mas uma extrema falta de confiança em dar o primeiro passo. A desculpa é quase sempre a mesma: “no Brasil é muito complicado empreender”.


Aos fatos:

I - Burocracia atrapalha abrir a empresa. Não ajudar ou estimular é diferente de atrapalhar. Nunca conheci um empreendedor com um projeto “matador” que deixou de seguir adiante por que iria demorar 200 dias para legalizar a empresa. Na prática a empresa começa muito antes do CNPJ: reuniões, pesquisas informais, protótipos (item fundamental) devem acontecer antes! Estes são, inclusive, pontos essenciais para a decisão de abrir ou não legalmente a empresa;


II – Carga tributária muito alta inviabiliza negócios. As cargas tributárias são elevadíssimas e atrapalham demais o desenvolvimento de empresas no Brasil. Isso não se discute. Mas deixar de empreender por causa disso? Se fosse assim, não existiria Inbev, Natura, Totvs e tantas outras empresas (que um dia foram startups) no Brasil. Nos primeiros meses não há faturamento nem funcionários. Pouco impacto. Nesse momento o empreendedor está testando suas hipóteses. O primeiro passo é que elas funcionem. A partir daí faça um bom planejamento tributário (não economize no contador!).


III – A taxa de mortalidade no Brasil é tão alta que as chances de dar certo são poucas. Típico caso de pessimismo ou mesmo covardia. Se existe uma comprovação de que 60% das empresas daqui fecham as portas nos primeiros 5 anos, essa mesma estatística nos Estados Unidos - país mais empreendedor que existe - aponta para 50% de chances. Definitivamente, esta não é uma desculpa aceitável!


Em resumo, na prática sempre existirão dezenas de motivos para você não criar sua startup. Apesar disso se existir um único motivo, o de você ter uma “paixão irracional” por determinado projeto que quer desenvolver, então:

1. Entenda as regras antes de começar: tem burocracia sim, a carga tributária atrapalha mesmo e só os melhores negócios irão prosperar. Sabendo disso antes, não há o que choramingar depois;

2. Comece pequeno mas, desde sempre, pensando em ser grande!;

3. Se prepare para anos de trabalho árduo, várias concessões (maioria pessoais) e muita resiliência;

4. Comece rápido. Teste rápido. Sua primeira tarefa no “dia 1” da empresa é testar as duas hipóteses fundamentais de qualquer startup: (a) identificamos um problema importante que as pessoas ou empresas possuem e (b) sabemos desenvolver uma solução que irá resolver esse problema; Steve Blank, referência quando o assunto é startups, define precisamente o empreendedorismo como “insolência + paixão”. Se você realmente acredita no seu projeto de startup, atrevimento e audácia vão ser necessários! 



Rafael Duton é empreendedor, professor e fundador da Movile e da aceleradora de negócios digitais 21212. Empreendedor Endeavor desde 2003.

 
 
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